ENCHENTES: COMO DIMINUIR ALAGAMENTOS E INUNDAÇÕES EM COTIA – 2

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Antonio Melo para o cotiatododia

Se, como mencionamos anteriormente, o último diagnóstico e desassoreamento parcial do rio Cotia foi realizado entre 2010 e 2011, decorridos 15 anos e aprovados inúmeros loteamentos e condomínios, asfaltados vários quilômetros de ruas e sem a devida limpeza da calha do rio, como está a situação do rio Cotia hoje?

A bacia hidrográfica do Rio Cotia abrange aproximadamente de 240 a 263 km², inserida na Unidade de Gerenciamento de Recursos Hídricos do Alto Tietê (UGRHI-6).

Altitude na Nascente: Aproximadamente 950 a 1.000 metros nas cristas da Serra de Paranapiacaba / Reserva Florestal do Morro Grande (com nível d’água na Represa Pedro Beicht a cerca de 912 metros).

Altitude na Foz: Em torno de 715 a 720 metros, no encontro com o Rio Tietê.

Desnível Total: Cerca de 280 a 285 metros ao longo de uma extensão de aproximadamente 37 km, o que gera grande declividade inicial no Alto Cotia e remanso com velocidade reduzida no médio e baixo trecho.

Trajeto e Municípios Percorridos

O Rio Cotia percorre ou delimita fronteiras de 5 municípios da Região Metropolitana de São Paulo até a desembocadura:

Cotia: Abrange a totalidade das cabeceiras e represa de abastecimento.

Embu das Artes: Limites marginais e contribuição de microbacias.

Carapicuíba: Margem direita no curso médio-inferior.

Jandira: Trecho intermediário de planície aluvial.

Barueri: Trecho final e desembocadura no Rio Tietê (próximo à divisa com Carapicuíba e Alphaville).

Principais Afluentes e Regiões Abrangidas

A bacia possui dezenas de cursos d’água secundários. Os afluentes mais expressivos e vulneráveis a transbordamentos incluem:

Ribeirão das Pedras e Córrego da Capelinha: Drenam áreas centrais de Cotia, bairros como Vila Monte Serrat, Portão e áreas comerciais da Rodovia Raposo Tavares.

Córrego Moinho Velho / Barro Branco: Corta o distrito da Granja Viana, condomínios fechados (como Fazendinha e adjacências) e parques residenciais, sendo um dos principais pontos de estrangulamento hidráulico.

Córrego São Pedro: Bacia intensamente urbanizada que deságua no trecho urbano de Cotia e causa inundações recorrentes.

Ribeirão Ressaca e Córrego das Moças: Drenam o limite entre Cotia, Carapicuíba e Barueri, margeando polos industriais e bairros populosos das várzeas baixas.

Pesquisamos sobre o comportamento do rio e verificamos dados interessantes sobre sua vazão:

Regime Hidrológico Faixa de Vazão Estimada Dinâmica Hidráulica
Período Seco / Normal 1,5 a 4,0 m³/s Fluxo amortecido pelas barragens do Alto Cotia (Pedro Beicht e Cachoeira da Graça).
Picos de Enchente (Chuvas Fortes) 45 a mais de 120 m³/s Vazão crítica em eventos com tempo de retorno de 25 a 50 anos, transbordando calhas de fundo de vale.

De acordo com as fontes consultadas, a variação é agravada pela impermeabilização do solo, gerando ondas de cheias em menos de 40 minutos após o início de tempestades.

Desassoreamento e Mitigação

A execução do desassoreamento contínuo é uma medida indispensável de curto prazo, porém com limitações que exigem soluções integradas entre os municípios pelos quais o rio passa. Sem a colaboração intermunicipal entre Cotia, Jandira, Carapicuíba e Barueri, torna-se inviável a limpeza adequada do rio. As ações imediatas necessárias para reduzir de forma efetiva as cheias do Cotia são:

Remoção de Sedimentos e Lixo: O assoreamento por sedimentos de terraplanagens irregulares e resíduos sólidos chega a reduzir em até 40% a seção útil de escoamento. O desassoreamento mecânico deve focar prioritariamente no Médio e Baixo Cotia (entre Cotia, Jandira, Carapicuíba e a foz no Tietê), onde a declividade cai para menos de 0,5 m/km.

Efeito Remanso da Foz: Desassorear o Rio Cotia sem dragagem coordenada na calha do Rio Tietê gera acúmulo e afogamento da foz, impedindo a descarga eficiente nos dias de alerta metropolitano.

Abertura de Gargalos e Pontes: Diversas passagens sobre a Raposo Tavares e travessias locais funcionam como diques que represam a água durante enxurradas; o alargamento desses pontilhões é tão urgente quanto a dragagem.

Retenção na Fonte: Para evitar o reassoreamento rápido, o município precisa exigir bacias de detenção (piscinões secos ou bacias de amortecimento) em novos loteamentos e condomínios, associadas à recomposição de matas ciliares nascentes.

Sem essas providências, acontece o que vemos hoje: quando cai uma chuva forte, em menos de 40 minutos o rio modifica drasticamente sua vazão, saltando de 1,5 a 4,0 m³/s para 45 a 120 m³/s ou mais.

Isso demonstra com clareza o problema: o Rio Cotia é o destinatário final de toda a água que escorre da vertente do espigão central que corta o distrito de Caucaia do Alto voltada para o norte, nordeste e leste do município. Essas águas fluem para o Rio Cotia e seus afluentes (como o Ribeirão da Ressaca e córregos locais).

Essa área de drenagem engloba a região central de Cotia, a Granja Viana e a maior parte da mancha urbana municipal, com destino final às represas do Sistema Alto Cotia (Cachoeira da Graça e Pedro Beicht) e ao curso principal do Rio Cotia até a foz no Rio Tietê.

A situação, portanto, é evidente: assoreado como está, o Rio Cotia transborda logo que recebe águas de temporais fortes, gerando um efeito em cadeia: todos os seus afluentes sofrem com o represamento, sobem de nível, saem de suas calhas e inundam os terrenos vizinhos.

Daí a origem das enchentes: os córregos afluentes não conseguem descarregar suas águas no Rio Cotia; refluem e, sem as antigas áreas naturais de várzea e espraiamento, invadem os terrenos ribeirinhos. Isso provoca os alagamentos periódicos e previsíveis vistos na Rua do Cristo, na Estrada São Fernando, no Jardim Sandra, no Jardim Panorama, nos bolsões do São Paulo II, nas imediações do Mercadão e ao longo de todas as margens que não conseguem escoar suas águas.

Trata-se de um grande volume de água represado pelo próprio rio principal que, assoreado até sua foz, perde a capacidade de escoamento e força o retorno da água para margens ocupadas e impermeabilizadas, invadindo imóveis e gerando graves prejuízos materiais e riscos à vida.

O prefeito atribui tudo isso ao fenômeno climático e criou um Gabinete de Emergência Climática. A medida é válida, mas apenas no papel não resolve o problema.

A Prefeitura insiste em divulgar que está “desassoreando córregos”, sem atentar para o fato de que limpar os afluentes sem antes desobstruir a calha principal do Rio Cotia apenas acelera a chegada da água ao rio já estrangulado, potencializando as enchentes que fatalmente ocorrerão.

O Desassoreamento Necessário: Como Fazer

Continua amanhã…

Clique aqui para ver Cotia alagada (imagem do Instagram do Aconteceu em Cotia – Facebook): https://www.facebook.com/share/r/1Bunza9zhb/

Imagem: Facebook de dronando ((4) Instagram)