LUDOPATIA EM ALERTA: RISCOS DO TRANSTORNO DO JOGO PARA A SAÚDE MENTAL LEVAM UNIÃO A COBRAR R$ 1 BILHÃO DE BETS NA JUSTIÇA

Reconhecido pela OMS como condição de saúde com impactos psíquicos e financeiros graves, o vício em apostas online sobrecarrega o SUS e motiva ação da AGU por ressarcimento e reparação coletiva.
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O avanço desenfreado das apostas eletrônicas no país deixou de ser encarado apenas como questão financeira para se consolidar como uma crise de saúde pública. Classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na CID-11 como transtorno do jogo, a ludopatia caracteriza-se pela perda de controle sobre o ato de apostar, persistindo mesmo diante de danos severos à rotina, às finanças e aos laços familiares.

O impacto desse adoecimento em massa motivou a Advocacia-Geral da União (AGU) a ingressar com uma ação civil pública na Justiça Federal cobrando ao menos R$ 1 bilhão de 17 empresas de apostas esportivas por danos morais coletivos, além do ressarcimento dos custos do Sistema Único de Saúde (SUS) no tratamento de apostadores compulsivos e a restituição em dobro dos valores perdidos por indivíduos diagnosticados. Segundo a AGU, os custos médicos e sociais superam com folga a arrecadação tributária do setor, transferindo à sociedade a conta do vício induzido por plataformas programadas para maximizar o engajamento.

Sinais de dependência e sofrimento psíquico

Especialistas alertam que o acesso constante via smartphones normalizou as apostas cotidianas, criando um ciclo contínuo de vulnerabilidade. De acordo com a psicóloga Carol França, coordenadora do curso de Psicologia da Estácio, a ludopatia desencadeia ansiedade intensa, depressão, vergonha, rupturas familiares e, em situações extremas, ideação suicida provocada pelo endividamento descontrolado.

Entre os principais indicativos de alerta estão:

  • Apostar valores maiores ou passar mais tempo no jogo do que o planejado;

  • Pensamento obsessivo e recorrente em estratégias e palpites;

  • Realizar novas apostas com intuito desesperado de cobrir perdas anteriores;

  • Esconder dívidas, gastos ou mentir para familiares e amigos;

  • Comprometer recursos vitais da casa (aluguel, contas, alimentação) e afastar-se do trabalho ou dos estudos;

  • Apresentar irritabilidade e crise de abstinência quando impedido de apostar.

Jovens e adolescentes formam a faixa mais suscetível à dependência, impulsionados pela constante publicidade esportiva digital e pela busca por recompensas imediatas, demandando forte supervisão e diálogo franco dos responsáveis.

Como buscar ajuda na rede pública

O transtorno do jogo tem tratamento gratuito no SUS. Portas de entrada como as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e, prioritariamente, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) contam com equipes multidisciplinares preparadas para atendimento psicoterápico, avaliação médica e grupos de apoio. O Ministério da Saúde disponibiliza ainda teleatendimento no aplicativo Meu SUS Digital e canais de autoexclusão em sites regulamentados.

Em casos de ideação suicida, sofrimento psíquico agudo ou pensamentos de morte decorrentes do desespero por endividamento, o atendimento deve ser imediato em prontos-socorros, Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) ou pelo SAMU (192).

Fontes: Agência Brasil / Advocacia-Geral da União (AGU) / Imagem gerada por I.A.